Inesquecível

25 abril 2019

"Nossas percas certamente não são iguais, mas dor e amargura é um sentimento que conheço muito bem. É algo que nos deixa impotente,incapaz de ver beleza em qualquer que seja a situação. Decidi sair dessa escuridão quando percebi que deixar meu coração morrer era bem pior do que não conseguir enxergar."

O desfecho do livro " Insensível" ( Tem resenha aqui no blogger), foi angustiante. E agradeci por estar com o terceiro livro, em mãos. Caso contrário, minha ansiedade teria alcançado níveis extremos.

Contudo, esse é um tipo de livro que divide opiniões. A minha é que este foi o melhor livro da trilogia. E ao final da resenha, irei apontar dois pedidos.

Então, venham comigo nesta melodia da vida!

Classificação:+18



"Pois é, a coisa mais legal sobre a vida é que nem tudo gira ao nosso redor, e não somos os únicos que tem problemas."
Josh é um personagem intenso, espontâneo, impulsivo, carismático, alegre ... Mas inicia este livro no "fundo do poço".  Acredito que além do fundo ... quase ultrapassando o limite entre resgate e o fim. Ele não foi o único que perdeu, todos perderam o Braden. Mas o pior da perca, não é lidar com a falta. É se perdoar, perante a algum remorso.

Em um uso descontrolado de um determinado produto químico, o nosso baterista se encontra no hospital. E, enquanto aguarda liberação médica, conhece, a própria "fênix", Lilith. A irmã de sua enfermeira. Ela é doce, esperta, sagaz, inteligente, humorada.
"(...) Con este aguacero / Que caiga la lluvia, estoy que me quemo / Con este aguacero / Deja que caiga la lluvia, mi cielo (...)"
O livro se inicia após 06 meses do fatal acidente, da qual Braden se foi. Josh não está sabendo lidar com a perca. Cada vez mais, mergulha em um caminho que pode não ter mais volta. Em meio a esse fosso que a luz humorada e revigorante, que é a, Lilith entra em sua vida.

De começo, é apenas um diálogo no estilo "tapa na cara". Uma menina que é cheia de vida e esperanças, mesmo após o acidente que lhe desenvolveu a cegueira ( há quatro anos). Dialogando e dando as melhores "tiradas" em nossa protagonista, que neste momento, apesar de a tratar bem, está em uma aura egoísta e angustiada.

Posterior, a uma situação de descontrole, ele assume que precisa de ajuda e aceita retornar ao Centro de Reabilitação em Dependência Química.

Paralelamente, ao processo de Josh, Lili está cantando no palco do "The Rock"( o bar de Callie e Micah) e fazendo os exames para a cirurgia. Sua última esperança a voltar a enxergar.
"(...) Se tem algo que aprendi quando estava internado é que não posso comparar a dor de ninguém com a minha. Cada um sofre de forma diferente, nem mais, nem menos que os outros. Apenas diferente."
Ao completar o ciclo no centro de reabilitação, o " Tio Dodô" sai disposto a acertar e reaprender a vida. E é nesta hora que Lili vem firme e forte desempenhando um papel importantíssimo .... a de cúmplice e companheira. Ambos, começam a entender um no outro o que é ser livre, o que é acreditar, o que é aproveitar as segundas chances da vida, o que é ter fé em si mesmo e na família. Já AJ (seu filho) reforça o lado do amor genuíno, a do respeito por sua estória e a garra que precisa desenvolver para estar com ele.

Porque existem acontecimentos na vida, que a redireciona radicalmente? Após a perca, o que existe: o esquecimento ou a eternização do outro em nossas lembranças? O auto perdão é a mais difícil das escolhas? E a banda, conseguirá se reerguer depois destes tumultuados incidentes do destino? O que cada um está disposto e o que cada um representa um para o outro?
"(...) A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que os homens receberam dos céus. Com ela não podem igualar-se os tesouros que a terra nem que o mar cobre; pela liberdade, assim como pela honra, se pode e deve aventurar a vida, e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pôde vier aos homens." Don Quixote - Miguel de Cervantes
Nossa autora, mais uma vez, surpreendeu e fez meu coração ficar bem apertado, em vários momentos.
É mais que um enredo de superação. É uma narrativa de amor. Achei lindo e emotivo o fato dela não ter detonado o Braden. ( Que para mim, foi o melhor personagem da série) Ela valorizou quem ele era, no sonho que realizaram juntos (de ambos serem pais de um menino lindo "AJ"), nas lembranças retratadas, nos diálogos compartilhados e nos laços da família de sangue e na família que se tornou a banda. Nossa escritora provou que pode sim, existir amor mais de uma vez ao decorrer da vida.

Nem melhor, nem pior ... somente diferente. 

Que há apoio de cada personagem, cada um com a sua personalidade, da sua própria maneira. E a percepção de uma irmandade fantástica.

Um livro com diálogos intensos e interessantes, um desenvolvimento com bom andamento e um final acolhedor da alma.

Um ponto forte desta leitura (assim , como nos outros dois) é a presença de toda banda. Nutrindo a estória.

Algo que eu gostaria que tivesse desenvolvido um pouco mais, foi o tempo que Josh esteve na clínica. Eu realmente fiquei curiosa em ler mais sobre. Porém, o que foi apresentado, já estava passando a mensagem de forma coerente e com boa dinâmica ao desenrolar da narrativa.

Contudo, Andy Collins nos apresentou aos The Original's de forma insana , muitas vezes foi ( sem sombra de dúvidas) insensível ( posso dizer que em, pelo menos, três momentos rsrs), contudo, finalizou deixando marcas inesquecíveis .

E lá vão os meus dois pedidos: Preciso saber a estória do Dean, pode ser em um spin-off sobre ele e a Mag. E eu teria gosto em ler um livro bônus do Troy (O que, até então, era o empresário e amigo da banda) com a Mackenzie (Mac, a irmã de Braden), um casal curioso e intrigante.

E até a próxima leitura!

Sobre a série: Mais do que uma banda de amigos, eles são pessoas que escolheram estarem juntas. Uma família de coração. Quatro adolescentes, no final do colegial, montam uma banda, na garagem de um deles. O que começou com adolescentes cheios de sonhos, hoje homens cheios de cicatrizes. Prosseguem - mesmo após anos - com muito sucesso. Acumulando duas turnês mundiais.
E, esta série, conta as estórias dos integrantes Gael, Micah, Braden e Josh (respectivamente).Em sua realidade, nua e crua, sem "mimimi". Mostrando o que acontece atrás dos palcos. E, não só os sorrisos.


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Série: The Originals #3
Editora: Editora Planeta Literário
ISBN:9788568292945
Ano: 2018
Páginas: 330

10 comentários:

  1. Oi Lays!
    Este é mais um romance que te arrebatou não é? :)

    Que bom a autora nos apresentar dois personagens com perdas extremamente difíceis. Uma parece ter sido superada, já o Josh acho que terá a Lilith para apoiá-lo em seu pior momento.

    Um romance como esse é sempre bem vindo.

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  2. PArece que essa série é realmente arrasadora em todos os sentidos. Não li nenhum livro, mas acompanhei as suas resenhas. E, pelo o que vi, os personagens sempre se superam. Gosto de estórias que parecem próximas à realidade.
    E essas capas???
    Com certeza já marquei esses livros pra poder ler em breve.

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  3. Oi, Lays!
    Poxa, sério que um dos integrantes do quarteto morreu?! Fiquei triste agora, e olha que eu conheci eles apenas através de suas resenhas, imagine então quando eu for ler os livros?! Pois é, sou uma manteiga derretida rsrs...
    Se perdoar é realmente muito difícil, creio eu que é muito mais fácil perdoar os outros do que a si mesmos, por isso entendo a atitude do Josh, mas fico feliz com o surgimento da Lilith em sua vida provando que mesmo em meio a escuridão podemos encontrar a luz.
    Valeu pela dica da série The Originals, tá anotadinha aqui... Bjos!

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  4. Olá Lays!
    Deu pra perceber que emoções extremas acompanham o desenvolvimento da história, o que é excelente para deixar o leitor envolvido com os acontecimentos. A autora acerta ao introduzir somente o essencial para que os personagens possam evoluir ao longo da trama, sem contar que os diálogos inteligentes entre os protagonistas fazem com que a leitura seja fluída e envolvente, tudo na medida certa.
    Beijos.

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  5. São tantas perdas pelas quais podemos passar na nossa vida, que até pode desanimar. Nessa estória parece que vemos muito disso. Mas o importante é que parece que o Josh consegue passar por tudo isso afinal de contas.
    Gostei da resenha que fez eu me interessar bastante pela leitura.

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  6. Lays!
    Ainda não tive oportunidade de ler a série.
    Já gostei porque as personagens dos livros anteriores continuam presentes de forma ativa nesse livro, mostrando uma amizade verdadeira, apesar da perda em comum.
    cheirinhos
    Rudy

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  7. Essa atmosfera musical e a amizade de 4 caras tem muito a render em uma história. Acompanhando as resenhas tenho certeza que eu iria gostar dos livros. Eu também quando gosto de um enredo torço sempre por novos livros extras que possam me mostrar um pouco do que não teve espaço na história principal, ou mesmo ver mais dos núcleos que gostamos.

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  8. A frase inicial da tua resenha, mostra profundidade e uma baita introspecção, características que deve seguir nesse volume de Inesquecível. Gostei do clima denso da tua resenha, justamente por ser um drama comum. O arrependimento, o "digerir" uma perda, sempre rendem livros lindos e sofridos juntando a amizade da banda que dá um cor a mais. Acho interessante (e fico curiosa até), como tu descreve a necessidade de saber mais sobre certos personagens, que até então seriam meros coadjuvantes, mas que pela escrita da Andy, há um envolvimento com o leitor, ou seja, toda fazem parte da serie com o mesmo peso e importância dos integrantes principais da banda. A cada novo comentário teu, mais me convenço que preciso conhecer essa autora.

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  9. Esse volume parece ser muito triste e abalar as estruturas, quando alguém próximo se va,i é difícil a recuperação dá para entender o que Josh esta passando. Mas quando se tem alguém para se apoiar é muito bom, ainda bem que ele encontra alguém que possa ajudá-lo a se levantar, e deve ser maravilhoso poder acompanhar essa historia.

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  10. Olá! Ai ai, depois dessa resenha, deu vontade de começar a série por esse livro, que promete sem dúvida ser arrebatador e uma lição de vida para muitas pessoas. Que bacana ela retratar esses momentos de superação, segundas chances e recomeços.

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