Pode não ser o que parece

09 abril 2019

O que traz felicidade, com quem casar, quais amigos ter ou como a ciência ajuda você a tomar as melhores decisões. 


Desde que completei 30 anos, venho investindo mais em leituras voltadas ao desenvolvimento pessoal e profissional. Gosto de leituras que tenham dados científicos por trás, como o maravilhoso "O poder do hábito", e foi justamebte isso que me chamou a atenção em Pode não ser o que parece
Neste livro, dois economistas tentarão responder vários questionamentos que existem na sociedade, baseando-se nos dados estatísticos que existem nas diversas pesquisas acadêmicas que não chegam até a população, por serem tratadas de forma chata ou cheia de números complicados. 
Eles destrincham todas as pesquisas e apresentam os resultados baseados nos experimentos de forma clara e direta, ajudando a entender porque algumas coisas não são exatamente como nós pensamos que são e como podemos mudar isso. 

POR QUE CASAMOS? 
 "Existe essencialmente três teorias sobre por que as pessoas casam. Uma delas é a de que fazemos isso para sinalizar para o outro que nosso amor é verdadeiro. Quem ama casa. Faz sentido, não? (...)
A segunda teoria é a de que nos casamos para receber o ganho, em grande medida simbólico, de seguir as conenões sociais, já que um contrato deste é visto como um sinal de emancipação, um rito de passagem pelo qual "a sociedade" espera que passemos. 
A terceira teoria, e talvez a mais interessante (pelo menos para os economistas), é a de que o casamento é meramente um mecanismo de comprometimento, uma maneira de demostrar que estamos dispostos a encarar as responsabilidades que acompanham a união." 

POR QUE NOS DIVORCIAMOS? 

Segundo os dados apresentados no livro, nós atribuímos uma nota ao nosso parceiro e a nossa relação (no melhor estilo black mirror), e essa nota vai sendo reavaliada de tempos em tempos. Quando a nota chega a um nível abaixo do esperado pelo parceiro, ocorre a separação. 
Essa reavaliação se dá de duas formas: 

Efeito aprendizado: Aprendemos mais sobre a outra pessoa, o que nos leva a aperfeoçoar a nota subjetiva que damos a cada traço que acreditamos ser relevante. Por mais que convivamos com alguém, sempre aprendemos algo, a partir desse entendimento vamos atualizando a nota subjetiva de nosso parceiro. 

Efeito preferência: com o tempo, é natural que nossas preferências se alterem porque aprendemos mais sobre nós mesmos ou porque somos influencidados pelo meio (lugar e grupos sociais com os quais interagimos) 

Estudos mostram que tanto homens como mulheres, depois de um período de adaptação, experimentam ganhos de bem-estar e felicidade após o divórcio. 

FILHOS MAIS VELHOS SÃO MAIS RESPONSÁVEIS? 

Sim. E há dois motivos para isso: 
- Filhos mais novos tendem a imitar o comportamento do irmão mais velho, logo, isso acba trazendo um senso de responsabilidade do mais velho em ser um "bom espelho". 
- Os pais cobram menos da criação do filho mais novo, pois já adquririam experiência com o primeiro filho. Eles tendem a supervisionar mais o filho que nasce primeiro. 

DINHEIRO NÃO TRAZ FELICIDADE

Segundo Easterlin, há fatores que alteram a felicidade de maneira permanente e outros que a modificam apenas de maneira transitória, e o fator riqueza esta neste segundo grupo. 
Cada pessoa teria um estado natural de felicidade. Há indivíduos naturalmente mais alegres e outros mais tristes. Alguns eventos diários alteram esse estado de espírito, mas apenas por um curto período de tempo. No longo prazo, esse nível de felicidade tenderia a voltar para esse estado natural, fenômeno conhecido em estatística como regressão média. 

SUA FELICIDADE É RELATIVA 
Sabe aquela máxima de que você é a média das 5 pessoas com quem mais convive? Pois é, a sua felicidade também é. 
Carol Graham em "The Economic of Happiness", mostra que o ser humano tem características de estar constantemente se comparando com os demais. Não importa apenas a nossa felicidade, mas a nossa felicidade em comparação à daqueles que nos cercam. Pessoas que se sentem menos felizes que os demias a sua volta teriam a felicidade diminuída pela pressão de ter que estar bem o tempo todo. 

"Se quisessemos ser apenas felizes, isso não seria difícil. Mas, como queremos ficar mais felizes do que os outros, é difícil, porque achamos os outros mais felizes do que relamente são". - Barão de Montesquieu. 

Esses são só algumas questões que são esclarecidas com este livro. Várias partes do livro foram exclarecedoras para mim, e espero que essas poucas que eu compartilhei aqui tenham sido esclarecedoras para você também. E lembre-se, mesmo que não saibamos, tem sempre algum cientista estudando o que nós precisamos saber. É uma pena que muitas vezes esses estudos não seguem ao nosso conhecimento. Mas, pelo menos alguns, você vai encontrar neste livro.
Se quiser saber mais, assista o vídeo.
Até a próxima.


Editora: Objetiva
ISBN: 9788547000479
Ano: 2017
Páginas: 176

9 comentários:

  1. Guria, eu duvido que o livro seja tão descontraído, tão divertido, tão acessível quanto a maneira com que tu resenhou ele no teu vídeo ahahahahahah parabéns pra ti! Acho o Samy uma figuraça e não vejo ele falando sobre isso, por tanto já chamou minha atenção, além o fato de eu nunca ter lido nada do gênero, a menos que esse livro seja uma auto ajuda (ahahah). Brincadeiras a parte essa releitura de fatos corriqueiros me deixou curiosa, ainda mais quando se fala de dados recolhidos de pesquisas, ou seja, são fatos e não especulações. Os assuntos abordados parecem tao corriqueiros e que ninguem pensa só faz..ai vem uma pesquisa e buuuum, mostra o porquê. Muito bacana

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  2. Olá! Um livro bem diferente do que eu normalmente leio, mas achei os questionamentos e esclarecimentos bem pontuais e interessantes, é aquele tipo de leitura bem despretensiosa, mas que acaba nos surpreendendo positivamente. Sempre me perguntei porque as pessoas casam e sem duvida quero conferir a resposta (#curiosa).

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  3. Olha, se o livro for tão fácil e divertido quanto você fez no livro, acho que vou começar a ler agora kkkkkk
    Geralmente essas pesquisas ficam muito chatas porque os cientistas só querem usar o palavreado que utilizam para divulgá-las em seus meios. Por isso, nós, meros mortais, normalmente não entendemos. Sou muito a favor que as pesquisas sejam traduzidas para o nosso português simples e básico.

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  4. Eu acredito Natália, que esse livro é ideal para quem já teve um pouquinho mais de vivência, de experiência. Acho que por esse motivo, fiquei bastante interessada!

    Quando me casei,acho que eu queria mostrar para o meu marido,que gostava bastante dele... Ou que estava depositando minha confiança nele.O que para mim é fundamental...
    Acho que comecei muito mal.
    Pois se algo sai diferente do que planejamos,a decepção é enorme.
    E a nota do parceiro cai drasticamente.
    Ou se divorcia,ou vai levando o relacionamento sem grandes pretensões.

    Dinheiro não traz felicidade?
    Depende!
    Às vezes é tudo que precisamos no momento.
    Sei lá!
    Acho que estou escrevendo bobagens. Talvez livros do gênero, são ideais para situações como a minha... Para me tirar da confusão.

    Abraços.

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  5. Olá Natalia!
    Essa obra chama atenção por tornar acessível essas pesquisas para os leitores, abordando de forma direta e objetiva questionamentos que possuem fundamentos científicos e estatísticos por trás do conceito. Essa parte sobre o casamento faz todo sentido, e faz o leitor perceber que há sim um efeito da expectativa da sociedade sobre os rumos de nossas vidas.
    Beijos.

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  6. Achei muito interessante a ideia do livro em trazer de forma clara esses estudos. Analisando cada uma das questões é impossível não concordar que tem seus fundamentos. É engraçado perceber que quase todas as questões estão diretamente ligada ao outro.

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  7. Nat!
    Tenho muito disso: por que não pensei nisso antes?kkkkkkkkk
    Conheço o Sammy, acho ele demais.
    Claro que me casei por amor, mas acredito que essas outras questões também estão envolvidas.
    Em relação ao divórcio... bem, acredito que seja meio por aí, descobrir que a pessoa não era realmente aquilo que esperávamos.
    Claro que dinheiro ajuda muito, porque é um meio para a felicidade.
    Infelizmente muitos de nós faz isso mesmo, vive se comparando.
    O livro parece bem interessante.
    cheirinhos
    Rudy

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  8. Não sou de ler esse gênero de livro, então não conhecia nem os autores, mas achei interessante e diferente esse, não tinha parado para pensar sobre os assuntos abordados, achei legal as teorias, principalmente do casamento. Pena que a gente não tenha acesso a essas informações das pesquisas só as que estão no livro, deve ter muita coisa legal.

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  9. Oi, Natália!
    Nunca me casei, e sinceramente não é algo que está nos meus planos... Mas achei interessante as duas teorias do divórcio.
    Realmente concordo com a teoria do filho mais velho ser mais responsavel, vejo muito exemplos disso...
    Dinheiro não traz felicidade? Acho que depende da situação...
    Antigamente eu comparava bastante a minha felicidade com as das pessoas a minha volta, é um hábito ruim que deixei para trás.
    Enfim, livros sobre estudos científicos não faz o meu estilo de leitura, mas eu leria Pode Não Ser o Que Parece caso a oportunidade sugir... Bjos!

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