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19 fevereiro 2020

Daqui não saio

A curiosa história de um povoado italiano que considerava Hittler um heroi


Curon Venosta é uma comuna italiana quase na fronteira com a Suiça e a Austria.
Ela é conhecida por um ponto turistico inusitado...


Sim, é tem uma torre no meio do lago. 

No passado, neste lugar, existiam três lagos naturais: o lago Resia, o Curon e o de San Valentino alla Muta. Por volta de 1939, com o objetivo de produzir energia elétrica, foi construída uma represa que unificou os três lagos. A obra, interrompida durante o período da Segunda Guerra Mundial (1939- 1945), provocou a inundação do antigo vilarejo de Curon. Os habitantes da cidade revoltaram-se e protestaram contra a represa, chegando a pedir ao Papa que bloqueasse a evolução das obras. A tentativa de impedir a construção da represa, no entanto, foi inútil. No verão de 1950, após a violenta destruição das aldeias locais pela guerra, os portões da barragem foram fechados e a bacia artificial foi gradualmente preenchida para inundar os 677 hectares de terra que definitivamente submergiram Curon e Resia. Os habitantes testemunharam a destruição e o naufrágio de suas próprias casas, sua igreja e todos os bens culturais que faziam parte de sua história e sua cultura, entre elas uma igreja do século XIV; a mesma da qual hoje ainda é possível admirar o campanário no Lago di Resia.
Após a inundação, as aldeias de Curon e Resia foram reconstruídas em uma área mais alta, com vista para o novo lago artificial, o maior da província, e agora a torre serve de lembrete de todo o sofrimento imposto pela Segunda Guerra.

Tudo isso esta embaixo d'água hoje em dia...
O que restou do campanário de Curon após a Guerra

A HISTÓRIA POR TRÁS DA HISTÓRIA


Não, a história não acabou. 
Quem poderia imaginar que, por trás (ou melhor, abaixo) desta paisagem pitoresca, há um fragmento histórico pouco conhecido. No livro "Daqui não saio", o autor Marco Balzano reconta o que aconteceu na região no período do início da Segunda Guerra. 
Segundo o autor, Mussolini, de um lado, e Hitler, do outro, dividiram a preferência dos habitantes. 

Através de uma narrativa baseada em fatos históricos, o autor utiliza a personagem fictícia Trina, uma professora de alemão, língua oficial da região, para traçar o panorâma histórico desta época na aldeia. Na história, ela é proibida de lecionar e toda a população se vê obrigada a aprender italiano para a revolta dos locais. A insatisfação se intensificaria mais tarde com a decisão da criação de um lago artificial que inundaria suas vilas e casas. A personagem da professora, segundo o autor, em entrevistas, teria existido e resistido à inundação da aldeia, subindo ao telhado de sua casa e gritando que ali ficaria (resto qui, daí o título no original em Italiano).

Trina era casada com Erich, um dos manifestantes que liderava o “movimento dos descontentes” com o avanço fascista e as mudanças impostas na região. Com mais de 100 mil exemplares vendidos somente na Itália e direitos de tradução adquiridos em diversos países, o livro é considerado um fenômeno na Europa e foi finalista do Prêmio Strega e ganhador dos prêmios Bagutta, Mario Rigoni Stern, Asti d’Appello, Minerva, Elba, Dolomiti Unesco, Viadana, Latisana, Omegna e Méditerranée. E com tantos prêmios, acho que encontramos o próximo livro a fazer parte da nossa wishlist 2020, não é? 

NOTA DA REDAÇÃO


Esta jornalista acaba de encontrar o próximo livro de guerra que irá ler (A.DO.RO!) e agora precisa decidir se lerá em italiano ou em português no kindle

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10 comentários:

  1. Acho lindo esses pontos turísticos e é bem inusitado ter uma torre no meio do Lago e até um pouco doloroso ver o que a comuna se transformou após a guerra

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    1. O que mais me impressiona agora que vivo aqui na Europa é perceber que todos os locais tem cicatrizes devido a guerra, porém, cada um lida com essas cicatrizes de forma diferente. Na Holanda, em Rotterdam, a cidade foi devastada. Não sobrou nada. Os holandeses reconstruíram tudo com prédios super modernos de forma a falara "Vc destruiu? Eu reconstruo e ainda melhor, quer ver?"; Na Alemanha, temos os campos de concentração e o muro "para que o povo alemão nunca se esqueça do que aconteceu e, assim, não volte a se repetir" e outros locais (de origem altina em sua maioria) usam a guerra como ponto turístico ou escondem o que aquilo representa. É o caso de Portugal e da Itália. Até porque, na Itália, o movimento mais forte foi o fascismo, então, coisas relacionadas a Hittler não tem muita importância e conservação por lá. Acabam sendo esquecidas ou resignificadas. Como é o caso dessa torre no meio do lago.

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  2. Olá! Eu simplesmente amo livros com essa temática, por isso, já fiquei para lá de interessada, ainda mais com essa história peculiar (como assim na Itália o idioma ser o alemão), ver Hitler como herói é de deixar qualquer um arrepiado! Espero ler em breve.

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    1. Na verdade, nem é tão absurdo assim na Itália ter regiões que falem alemão. Ali, na região dos Alpes, todos falam Italiano e Francês. Isso é muito comum na Europa, em cidades que ficam muito perto de fronteiras com outros países. Na Bélgica, por exemplo, algumas cidades como Brugge, Antuérpia (que são do território belga) tem como segunda língua o holandês. E falam constantemente. Eu no bar escuto a menina do balcão mudar de belga pra holandês de acordo com o cliente com uma facilidade absurda!

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  3. Adoro ver filmes com temática de guerra, seja primeira ou segunda Guerra Mundial ou relatando alguma guerra civil, mas nunca tive a oportunidade de ler algum livro que relata esse tema. Fiquei interessada em conhecer o livro.

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    1. Amiga... senta aqui e vamos conversar que eu vou te passar uma lista enoooooorme de livros que farão você chorar, passar raiva ou virar a noite lendo, apenas com a temática tiro, porrada e bomba na Segunda Guerra.

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  4. Oooie
    Gente uma torre no meio do lago! Que inusitado rs
    Nunca tinha ouvido falar desse livro, mesmo tendo ganhado tantos prêmios.
    Fiquei bem curiosa, já que gosto muito de ler história que se relacionam com a segunda guerra mundial, o fato da personagem fictícia Trina também me chamou bastante a atenção.
    Bjs

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    1. Uma coisa que eu percebo aqui na Europa é a diferença entre os livros mais premiados e vendidos, em relação aos livros que chegam no Brasil. Aqui, os livros que estão no Top 10 são livros de guerra... drama... autoajuda... e o Brasil, pelo que tenho percebido, segue mais a lista dos EUA, onde os livros de Fantasia, YA e policiais são os que dominam o Top 10.

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  5. Naty!
    Gosto também de livros de guerra e já anotei a dica para próximas leituras futuras.
    Fiquei extasiada em conhecer toda história e saber que tem uma torre no meio do lago, deve ser um lugar incrível de conhecer. Como descendente de italiana e vontade de ir um dia por lá, já coloquei nos locais que quero conhecer.
    cheirinhos
    Rudy

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    1. O mais legal é que o lado congela e você pode ir patinando até a torre. =)
      Iclusive, ele vira pista de patinação da cidade no inverno, com o povo andando ao redor da torre no melhor estilo "pista de patinação do Central Park ao redor de uma enorme árvore de natal". Hahahahahahahaha

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