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16 fevereiro 2020

Sob o véu do tempo



Alex é uma mulher moderna, que acaba sendo "sugada" por uma fenda no tempo quando é atingida por um raio durante uma tempestade, indo parar em 1658. Ela, esta machucada (afinal, ela foi atingida por um raio!!!) e acaba sendo encontrada por Matthew, um maltrapilho que acabou de fugir da prisão.
Eles estabelecem um vínculo de colaboração, com Matthew cuidando de seus ferimentos e ficando fascinado com a mulher que tem pernas azuis (jeans), uma renda no lugar do seio (sutiã) e cabelos curtos que mostram muita pele (supere querido!)

Matthew esta há muito tempo longe de uma mulher, afinal, estava preso. E Alex esta fragilizada, completamente sozinha num mundo estranho e hostil pra ela. Seu filho, seu namorado/noivo e seu pai ficaram no presente e, pode ser que ela nunca mais consiga voltar para seu tempo. Então, é óbvio que Mattehw e Alex vão acabar de pegando em algum momento, certo?

IGUAL A OUTLANDER. #SQN!


Quando começamos a ler, temos a impressão de já conhecermos o desenrolar da história, afinal, todo mundo já pelo menos ouvir falar de Outlander da autora Diana Gabaldon, e as comparações são inevitaveis.
Afinal, ambos se passam na Escócia. Ambos tem como protagonista uma mulher que é jogada no passado por um evento misterioso.
Ambos tem um romance associado ao que nossas protagonistas deixam no futuro e o boy que encontram no passado.
Mas as comparações terminam aí.
Enquanto no livro de Gabaldon, nós temos uma questão história muito forte, com guerras e essa busca da protagonista por tentar entender o que aconteceu com ela.
No livro da Anna Belfrage, o que nós temos é um pano de fundo voltado a caça as bruxas, vinganças sendo aplicadas através do tempo (e de séculos) e um romance com um PROBLEMA MUITO SÉRIO! 

QUAL O PROBLEMA?


Se você é jogada no passado, a sua prioridade máxima será tentar encontrar uma saída ou uma magia que leve você de volta ao seu tempo e a sua família, certo? Isso não quer dizer que você não possa se divertir com uns habitantes locais nesse percurso...

Porém, não dá pra você, uma mulher do século XXI, aceitar que um cara do século XVII, depois do sexo, diga que apartir daquele momento VOCÊ É DELE... SÓ DELE... e ficar calada quanto a isso.

Não dá pra ele MANDAR você entregar as suas jóias (inclusive o anel do seu noivo) e entregar pra ele. E depois ele vender isso sem nem ao menos lhe pedir, porque TODOS OS SEUS BENS AGORA SÃO MEUS. 

Não dá pra ele informar que vocês irão se CASAR (no dia seguinte do sexo!), E QUE APARTIR DAQUELE MOMENTO, VOCÊ DEVE OBEDECE-LO porque é sua esposa. E QUE VOCÊ AGORA É PROPRIEDADE DELE. 
Ou seja... você deixou de ser uma pessoa, passou a ser uma propriedade... e esta tudoooooo bem com isso? 
o.O

PARA ESSE TREM QUE EU QUERO DESCER


A mulher do século XXI já sabe que isso é relacionamento abusivo.
A mulher do século XXI até entenderia que ele é um cara antiquado. Sabemos que todos os homens dessa época eram babacas... machistas.. e tal. 
Mas quando ele fala todas as coisas que relatei, a Alex NO MÍNIMOOOOO deveria retrucar ferozmente devido ao fato de que ela NÃO É DAQUELE TEMPO, logo, não é um mulher submissa ao marido. 

Isso é relacionamento abusivo mascarado de romance. 
Ele falar tudo isso... tá ok; Esta condizente com o personagem. 
Ela aceitar isso passivamente por uma trepada? NÃO! 

Ele dizer que "MINHA MULHER NÃO NEGA A CAMA" é abusivo.
Ele dizer que quer dormir com a ex mulher e 5 min depois, a Alex estar transando com ele, NÃO FAZ SENTIDO. 

TODO ROMANCE DE ÉPOCA É ABUSIVO? 


Eu leio muitos romances de época, principalmente os publicados pela Arqueiro, e uma coisa que notamos nos romances de época atuais é justamente a valorização da personagem feminina. Os homens continuam sendo machistas, mas elas retrucam... elas manipulam o carinha de forma a ele acabar fazendo o que ela estava planejando, justamente para acabar com essa imagem de mulher submissa, que sabemos que tinha antigamente. E nós estamos falando de personagens QUE SÃO DAQUELA EPOCA RETRATADA. 

Uma personagem que é do futuro NUNCA aceitaria ser tratada dessa forma passivamente como a Alex. 

No mínimo deveria ter umas discussões bem mais acaloradas entre ela e o Matthew! Mesmo que ela tenha decidido que preferia viver naquele tempo do que voltar para a vida dela antiga, a sua essência e convicções de uma mulher moderna (que trabalha, trepa com quiser, tem seu próprio dinheiro, etc e tal) não evapora de uma hora para a outra por causa de sexo com um cara que ela conhecia há menos de 1 mês. 

Sinceramente, na minha opinião esse livro se perde completamente e é um desserviço a luta que as autoras de romance de época estão travando há anos, a fim de mostrar mulheres mais femininas e mais empoderadas em seus romances.

QUER ENTENDER MELHOR A HISTÓRIA?

Então assista o vídeo com a resenha.


Reações: 

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5 comentários:

  1. Oooie
    Quando li a sinopse achei a premissa da história bem interessante e a capa também me deixou curiosa.
    Ainda não li Outlander, então não tenho muito com o que comparar.
    Comecei a ler muito romance de época de um tempo para cá, e realmente a maioria dos livros abordam os problemas e preconceitos sobre as mulheres na sociedade da época, mas mostram as mocinhas se posicionando e na maioria das vezes falando o que pensam, sem "papas na língua".
    Perdi a vontade de fazer essa leitura, não aguento ler romance abusivo, cruzes!
    Bjs

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  2. Naty!
    Gosto muito dos romances de época, mas as vezes fico bem p... da vida com alguns comportamentos femininos, ainda mais por saber que são as autoras que dão vida a essas personagens.
    Não li ainda esse romance, mas também nem sei se quero ler não.
    cheirinhos
    Rudy

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  3. Confesso que quando li a sinopse desse livro fiquei bem interessada, já que a personagem é "jogada" ao passado e por eu ter gostado da série Outlander (não li os livros ainda) e da série Perdida da Carina Rissi.
    E não pude, quando li a sinopse, deixar de comparar com Outlander, já que os dois enredos se passam na Escócia e contam com personagens que voltam ao passado, ma vi que me enganei e muito.
    Também não acredito que a autora criou uma personagem que viveu no Século XXI e que aceita todos esses absurdos impostos pelo homem.

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  4. Olá! Estava super curiosa em relação a esse livro, tanto que comecei a leitura ainda em janeiro, mas com o passar das páginas a história simplesmente não estava fluindo e eu estava achando super estranho, até porque eu amo Outlander e Perdida que seguem a mesma premissa, para completar ainda me deparei com duas resenhas falando maravilhas em relação a história, por isso, foi até um alivio chegar aqui e perceber que eu não estava tão enganada assim, ainda estou tentando terminar a leitura, porque sou daquelas que não consegue largar uma história pela metade, mas o que eu mais senti em relação a leitura até agora foi confusão, revolta e zero empatia por uma personagem que simplesmente esqueceu que tem um filho meu povo, sem falar que eu acho os sentimentos dos personagens muito raso, não dá para entender o que eles estão fazendo e porque agem dessa forma, quanto ao “mocinho” só pela misericórdia, decepção total! Nos romances de época em geral os mocinhos são sempre uns FDP, mas em contrapartida temos as mocinhas para colocá-los no lugar e dar uma sacudida em toda aquela arrogância (parece que é praxe mocinho de romance de época ser de leão), mas aqui nem isso temos! Decepção, decepção e mais decepção a única coisa que fica é que a capa é realmente bonita!

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  5. Acaba me chama bastante atenção mas eu não gosto muito de romance de época do ano esse toque de viagem no tempo tanto que foi uma das coisas que eu não gostei em outlander. E o fato de altura tem que ter criado o nome do personagem feminina que aceitam fácil abusos masculinos que faz ter um pouco de receio para o livro

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