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01 novembro 2020

A Verdade sobre as Editoras de Livros e o Mercado de Atenção das Redes Sociais

Editoras de Livros X Redes Sociais

 O QUE O MERCADO LITERÁRIO PODE APRENDER COM O MERCADO DO AUDIOVISUAL

Responda rápido: De qual indústria as editoras de livros fazem parte? 

Se você respondeu a "Industria do Livro, ou Mercado Editorial", parabéns... 
VOCÊ ERROU!

As editoras hoje disputam espaço com a indústria da atenção, aquela mesma indústria que tem gigantes do Vale do Silício, responsáveis por aplicativos que fazem com que nós fiquemos na frente de telas durante horas, como Instagram e Youtube, ao invés de ficar horas com a cara enfiada no livro. 

Segundo os dados divulgados na última pesquisa "Retratos da Leitura do Brasil", o país PERDEU quase cinco milhões de leitores entre 2015 e 2019. Junte o fato de que as editoras tiveram uma queda do  faturamento em torno de  29% de 2006 a 2019, e o que temos é o cenário perfeito para o caos no mercado editorial. 
Ou melhor... o principio do fim. 

O FUTURO DO MERCADO EDITORIAL 

Não, eu não acho que o livro irá acabar. 
Já estudei sobre esse papo na faculdade quando disseram que o rádio ia acabar por causa da TV; quando disseram que os jornais iam acabar por causa da internet; e agora é a TV com as plataformas de streaming. 
Uma coisa não acaba com a outra, mas sim a modifica. 

Os jornais deixaram de ser impressos e passaram a ser digitais; 
Os livros, talvez, deveriam seguir o mesmo caminho? 

E sim, o fato de estarmos tão viciados em telas, e os leitores digitais serem TELAS, pode ajudar na formação de novos leitores... (eu sei, isso fere a sua moral como leitor ao impossibilitar cheirar o papel... eu sei... mas respira e continua lendo que você vai entender todos os argumentos)

A TV tenta adaptar o seu discurso de via única, e começa a migrar seu conteúdo para plataformas próprias;  produzir conteúdo exclusivo para outras redes parceiras, como o Youtube...
As editoras, talvez, deveriam seguir o mesmo caminho e chamar a Netflix pra conversar mais vezes? Inclusive... chamem a HBO também... 

O rádio adaptou o seu discurso para ser algo mais voltado a nichos, ao invés de ser uma TV sem imagens com vários programas, músicas e tal. Ele esta mais focado em pequenos grupos, migrando para o podcasts...
As editoras, talvez, devessem para de focar em grandes influenciadores que já falam para um público que esta acostumado a comprar seus produtos, e tomar para si a responsabilidade de criar pequenos grupos de novos leitores (já que claramente o governo não fará isso através da educação, né?), criando programas voltados as escolas de uma cidade... ou a um projeto social? 

Se eu, que não estou trabalhando em uma editora, ou seja, não estou DENTRO do mercado editorial (apenas corro ali pelas beiradas atualmente) percebo isso, COMO AS EDITORAS NÃO?!

Elementar meu caro leitor, elas, como todo modelo de negócios tradicional é relutante em aceitar o fim de uma era. 

AS EDITORAS ESTÃO REPETINDO O ERRO DA TV. 


Eu trabalhei por mais de 10 anos na TV Globo. 
Eu vi a Netflix chegar no Brasil. 
E quando ela chegou, nós (o chão da fábrica, os peões) sabíamos que isso ia ter impacto no mercado. Eu vi o discurso interno da TV Globo mudar de "queremos ser a maior emissora de TV do mundo" para "queremos ser a Netflix Brasileira". 
Só que eles demoraram muito para aceitar o inevitável. 

Durante anos eu vi departamentos inteiros correndo atrás do próprio rabo para "retirar conteúdo da Globo do Youtube", sendo que o conteúdo no Youtube fazia com que pessoas que não tinham acesso a TV à cabo, pudessem conhecer alguns programas dos canais fechados e, talvez, cogitar fazer uma assinatura mais baixa (ou rachar a assinatura com os vizinhos! Quem nunca?!). 

Os vídeos no Facebook, faziam com que as pessoas descobrissem algo que aconteceu no programa da Ana Maria, e fossem assistir no dia seguinte o programa. Ou procurassem o vídeo no Youtube. 
E sabe o que isso gerava? Reconhecimento de marca, o que chamamos no marketing de Branding. Mas acima de tudo, fazia a emissora ficar "na boca do povo" , aumentando o "share of mind" para o povo de marketing, que hoje é o "trend topics" do twitter. 

A TV Globo ignorava tudo isso. 
Os acionistas continuavam achando que o caminho era reprimir a pirataria; investir em conteúdo de alta qualidade (o famoso padrão globo) para a TV fechada, fazendo o público migrar pra lá;  e em jornalismo ágil (ou colaborativo, baseado em imagens enviadas por celular do público) ao invés de investigativo que custa muito mais... demora... mas é o que traz mais impacto para a sociedade, para a credibilidade da marca, e que é um dos pilares do jornalismo. 
Afinal, o Jornalismo é (ou pelo menos era pra ser) o quarto poder, sendo o fiscalizador dos outros três poderes... e isso requer investigação, mas isso é outro papo...


E tentam convencer a minha mãe, que assistiu novela a vida inteira de graça na TV, a pagar pra assistir as novelas antigas no Globo Play; ou eu e meu irmão, que estamos acostumados ao "padrão HBO e Netflix de qualidade" a pagar para assistir séries que são versões mais bem produzidas das novelas, mas com 1/5 do orçamento das concorrentes norte-americanas, e com histórias focadas em algo que já cansamos de ver no dia-a-dia, ou nas próprias novelas. 

As editoras de livros estão seguindo o mesmo caminho trágico. 

Aí as editoras viram as livrarias se afundando em dívidas, e mesmo assim, decidiram fazer campanha para "salvar um parceiro de negócios" que descobrimos que não era tãooooo parceiro assim, já que nem pagar pelos livros pagava, né

Agora elas estão achando que os clubes de assinatura irão salvar o mercado. Mas elas esqueceram que o pessoal dos clubes... das boxes literárias, correspondem a uma parcela muito pequena de pessoas que tem poder aquisitivo em um país muito desigual, que consegue adquirir essas caixas. E que nós estamos falando de um nicho dentro de uma parcela que corresponde a menos de 20% da população brasileira (aquela que afirma ser leitora, lembra?), e que, segundo a mesma pesquisa, 81% desses leitores do são adolescentes! Logo, não tem muito dinheiro para participar desses clubes de boxes literárias...

Ah! Lembra do demônio Amazon que elas tanto reclamaram lá no início? Então, ela é que tem salvo o couro das editoras nessa pandemia, viu? Inclusive, não fiquem impressionados se tivermos um aumento de faturamento em 2020, graças as vendas na pandemia de livros digitais pela AMAZON! 

Porque 2019 já teve um aumento devido a esse "grande demônio!!!" Apesar de alguns especialista do mercado afirmarem que com o fechamento das livrarias físicas (como o mercado ainda é dependente de livrarias físicas, né?) pode haver um encolhimento de 30%. 


Como as editoras ainda conseguem depender tanto da venda física em livrarias depois de todo esse rolê descrito acima, eu não sei... uma palavra vem a minha cabeça, mas vou guarda-la para mim. 

LIVROS SÃO EXPERIÊNCIAS. NÃO UM FORMATO! 

Eu fico me perguntando quando o mercado editorial irá perceber que eles não vendem livros, mas sim, uma experiência. 
Livros (o formato físico) não são importantes. O importante é o tempo que você gasta apreciando ele; aquele momento que você reserva só para você, sabe? 
O livro pode ser substituído pela Netflix; mas a experiência de se envolver em uma história através da leitura, não!  
É nisso que você as editoras deveriam estar focando. 
Mas, assim como a TV, elas estão perdendo o time. 
E os leitores. 

Vamos ver até quando irei assistir isso de camarote. 
Porque eu já conheço o final dessa história...

NOTA DA REDAÇÃO


Esta jornalista seguirá fazendo pipoca para acompanhar os próximos capítulos dessa tragédia grega, com esperanças de que Sherlock desvende o mistério que se passa na cabeça dos CEO's das Editoras Brasileiras à tempo de chamar o Manoel Carlos para escrever o próximo capítulo, enfiando uma Helena (não a de Tróia) para dar mais emoção. 

Fontes: 
https://www.publishnews.com.br/materias/2020/10/29/editores-e-taxistas

https://prolivro.org.br/wp-content/uploads/2020/09/5a_edicao_Retratos_da_Leitura_no_Brasil_IPL-compactado.pdf

https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2020/10/fas-de-novelas-maratonam-tramas-antigas-e-mantem-em-alta-genero-no-streaming.shtml?
fbclid=IwAR3ZhoagGe9MMLc0lfvN1oPU6oHLpGW7ElSmQZ1wqs6g5AKcjv4Vjf8cbCg

https://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/capitalista-selvagem-amazon-que-chega-ao-brasil-e-al-qaeda-das-livrarias-16314/

https://www.publishnews.com.br/materias/2020/06/08/2019-surpreende-e-faturamento-de-editoras-cresce-107-em-relacao-a-2018

https://www.perdidanabiblioteca.com.br/2020/08/reforma-tributaria-e-desoneracao-de.html

https://tecnoblog.net/70584/globo-youtube-contentid/

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/03/30/saraiva-e-cultura-param-de-pagar-editoras-e-outras-redes-renegociam.ghtml

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